Thursday, January 19, 2006

Primeiro Comentário

Recebi o primeiro comentário no meu blog.

Começei a escrever por recomendação da minha terapeuta e fiquei super feliz que alguém leu algo perdido entre milhões de coisas na internet.

Anônima, a coisa que eu mais queria, e creio que ela também, seria carrega-la em meus braços novamente, mas neste momento, apesar de não ter mágoa, só uma tristeza profunda que me deixa vazio, não tenho elevação espiritual para isso.

Logo após o natal conversamos bastante e ela confessou que estava arrependida, que foi um ato impensado, mais como uma vingança, pois ela tinha certeza absoluta que eu tinha outra pessoa, o que não era verdade. Em 13 anos de casamento e 2 de namoro e noivado nunca fui infiel. Fui fiel pelo amor que sentia (e sinto), porque é algo que acredito, e eu nunca conseguiria me encarar de frente no espelho sabendo que pior do ter traido minha mulher seria ter traído a mim mesmo. Eu fui assediado há uns 3 anos atrás, na empresa que trabalho, por uma mulher muito bonita, inteligente e gostosa e senti sim muito desejo, mas resisti a tentação, consegui que ela se afastasse de mim e me olhei no espelho com muito orgulho ao ter sido colocado a prova e ter superado esta prova tão bravamente. Mas mesmo assim, eu me senti culpado pelo simples fato de ter desejado outra mulher.

Confesso que me afatei de minha esposa nos últimos meses, mas foi a pressão no trabalho e o foco em conseguir cada vez mais e mais em termos materiais a causa deste afastamento. Quando chegava em casa eu queria apenas um pouco de sossego, ficar um pouco com meus pensamentos, principalmente porque estava chegando perto dos 40 anos, e realmente comecei a sentir uma crise muito grande com relação ao meu futuro. Eu comecei a pensar na minha mortalidade.

Finalizando, nesta conversa no natal ela perguntou se eu voltaria.

Eu disse que se o nenê fosse meu nada me deixaria mais feliz que ter a chance de começar de novo. Eu apagaria o passado e faríamos certo o que não fizemos quando casamos, com a vantagem de já termos construído muito juntos, pois todos podem errar e todos que querem mudar merecem uma nova chance. Eu e ela erramos, de maneiras diferentes, e eu queria mudar e se ela também quisesse, teríamos direito a uma nova chance.

Contudo, se eu não fosse o pai, eu não teria a elevação espiritual para isso, primeiro porque o outro rapaz sempre quis ser pai e não seria justo tirar o filho dele, além disso, um dia, quando esta criança crescesse, um dia iria me tirar realmente do sério e eu iria jogar na cara que eu não sou seu pai e eu não quero levar este arrependimento para o túmulo.

Por isso, anônima, não vejo a possibilidade de carregar minha (ex) esposa nos braços de novo.

O lado bom (além de eu ter emagrecido quase 10kg), que eu estou me estranhando, é que eu deveria ter muito ódio, muita raiva, deixa-la na miséria, mas não tenho estes sentimentos. Eu realmente me preocupo com ela, como será seu futuro, e sinto uma tristeza enorme em ter perdido minha família e também sinto uma angústia muito grande com relação ao meu futuro.

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Eu, anônima outra vez. Creio que se o filho não for seu , não há elevação espiritual que suporte tanto. É uma ferida com cicatrização retardada. Talvez o amor cure. Talvez apenas forme um calo dolorido. Não creio que, mesmo no futuro, mesmo irritado você seria capaz de magoar uma criança. ( Preciso acreditar nisso, preciso como terapia talvez, acreditar nos humanos.)Não sou quem vai aconselhar mas antidepressivos funcionam com tempo. Difícil é não se desesperar. Talvez a única vantagem que você tenha percebido até o momento é o emagrecimento. Depois dos 40 cada grama que engordamos é um sacrifício perder. Vai fazer exercícios, criar músculos, arrefecer o sofrimento cardíaco com aulas de aeróbica que beirem a tortura. Benditas endorfinas cerebrais que nos farão felizes como no paraíso. Acordar caro amigo, é a pior parte do dia. E tempo é o que precisamos. Talvez você esteja viúvo sem cadáver. Mas não sejamos trágicos. E se não houver outra forma, talvez possa transformar a tragédia em literatura. ( Minha forma de expulsar os demônios íntimos.) Espero que você consiga viver e ultrapassar este obstáculo. Vai ser um caminho tropeçável ( abuso de neologismo), mas possível. Um abraço.

2:56 PM  

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